Maio 15, 2009...1:05 pm

O trânsito e a chuva

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O muro da avenida Rebouças diz: você é um escravo do trânsito. Sou obrigada a concordar. Para chegar às 19h30 no centro da cidade, saio de Pinheiros às 18h. E muitas vezes chego em cima da hora. Às 17h entro num processo de neurose e ansiedade por conta do possível trânsito que pegarei para chegar lá: quantos minutos ficarei parada hoje no começo da Consolação? Quarenta? Uma hora? Também fico imaginando se conseguirei sentar, por milagre divino, ou se irei de pé, entre uma mulher que me amassa de um lado e um homem-armário que me joga para o outro. São Paulo é uma coisa muito, muito insuportável quando vista de dentro de um ônibus lotado em horário de pico. Por um instante chego a pensar que não quero mais morar aqui, que essa vida não é vida e que somos acostumados desde pequenos com um simulacro do inferno. Mas daí abro a janela hoje cedo e vejo a cidade toda cinza, tomada por uma chuva fininha e um frio gostoso. E penso: nada pode ser tão ruim assim.

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