Abril 18, 2009...2:37 pm

Impressões da crise

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Logo ao chegar em Atlanta, estranhei os vidros não-quebrados do Georgia World Congress e do prédio da CNN – no ano passado, uma espécie de furacão tinha arrastado cacos com ele. Mas há outro furacão por aqui, mais poderoso e certeiro. Basta ver o sacrifício de alguns corretores de imóveis para alugar ou vender casas e apartamentos num simpático bairro perto da estação de metrô Lindbergh: bexigas coloridas e descontos de todos os tipos. Ou então o shopping Lenox Mall Square infestado de liquidações com preços baixíssimos. O criador do torneio de robótica que estou cobrindo – a FIRST – disse que a crise não vai atingir sua instituição. Será? Os taxistas africanos que dominam a cidade dizem que todos os dias sabem de alguém que perdeu o emprego. Apesar do esforço dos universitários da Georgia Tech para manter as aparências – pelo campus da universidade, música alta, carro do ano e cerveja -, o clima da cidade está estranho. As propagandas de tv anunciam liquidações de móveis – móveis para um quarto inteiro saem por U$S 199. Poderia listar aqui dezenas de exemplos. Acho que basta completar a cena de Lindbergh: uma rua vazia, com ônibus e carros esporádicos, e bexigas balançando para lá e para cá, embaladas pelo vento de primavera.

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