Novembro 25, 2008...11:27 pm

A Mara e o Juninho

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No dia em que conheci Mara, ela estava com vontade de comer frango. Pelo menos foi o que disse quando me parou na rua Mourato Coelho, em frente a uma locadora de filmes enfeitada para o Natal. Pediu moedas, e quando saquei 25 centavos do bolso, ela disse:

- Prefiro frango, se você puder comprar frango, eu agradeço!

Comprei o frango. Quem nessa vida já não teve vontade de comer um frango assado? Mara vive nas ruas. Pede esmolas em Pinheiros com seu filho, o Juninho, de três anos. No dia em que conheci Juninho, suas mãos estavam molhadas.

- Esse aí arranjou uma arminha de água e agora não sabe fazer outra coisa! Fica atirando água toda hora!

Mara achou que eu ia me esquecer do frango. Não esqueci. Mas quando me despedi e virei de costas, ela logo berrou:

- Ô, Beatriz, o Juninho tá dizendo adeus!

Não tinha ouvido, Mara. Ela ri. E o Juninho, enquanto diz adeus, continua atirando sua ‘arminha’ de água no vento.

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