No dia em que conheci Mara, ela estava com vontade de comer frango. Pelo menos foi o que disse quando me parou na rua Mourato Coelho, em frente a uma locadora de filmes enfeitada para o Natal. Pediu moedas, e quando saquei 25 centavos do bolso, ela disse:
- Prefiro frango, se você puder comprar frango, eu agradeço!
Comprei o frango. Quem nessa vida já não teve vontade de comer um frango assado? Mara vive nas ruas. Pede esmolas em Pinheiros com seu filho, o Juninho, de três anos. No dia em que conheci Juninho, suas mãos estavam molhadas.
- Esse aí arranjou uma arminha de água e agora não sabe fazer outra coisa! Fica atirando água toda hora!
Mara achou que eu ia me esquecer do frango. Não esqueci. Mas quando me despedi e virei de costas, ela logo berrou:
- Ô, Beatriz, o Juninho tá dizendo adeus!
Não tinha ouvido, Mara. Ela ri. E o Juninho, enquanto diz adeus, continua atirando sua ‘arminha’ de água no vento.


7 Comentários
Novembro 25, 2008 ás 11:50 pm
E pensar o tanto de gente que passa fome nessa época do ano…
Uma boa ação!
Abraços,
Prolixo
Novembro 26, 2008 ás 12:34 am
Nem me fale, Prolixo. Sem cair no clichê, mas já com os pés nele: se todo mundo fizesse um pouco…
abraço!
Novembro 26, 2008 ás 6:11 pm
Com um pouco de atraso (eufemismo puro) vim conferir teu espaço. Loved it.
Beijos!
Novembro 26, 2008 ás 8:44 pm
Ana, obrigada! E volte sempre!
Dezembro 12, 2008 ás 2:54 am
Prefiro o polpetonne que deixa marcas na camisa branca.
Dezembro 16, 2008 ás 5:54 pm
Mais paulistano, impossível. Adoro seu blog! Atualiza mais! Voltei a escrever no meu, quando puder entra lá. Beijos
Dezembro 16, 2008 ás 7:28 pm
Carmen, vou atualizar em breve! Vou dar uma olhada no seu!
beijos!