Novembro 13, 2008...2:20 am

O Opala cinza

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Um norte-americano magérrimo, de bermuda escura e camiseta branca, com um bigode enorme, corre de um lado para o outro em seus chinelos no caixa dois do supermercado Pão de Açúcar da rua Mourato Coelho, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo. Seus dois filhos – um menino loiro de aproximadamente três anos insiste em pentelhar o pai, que responde com uma ‘dedada’ em sua cabeça, e uma menina de, no máximo, 6 anos, mais comportada – acompanham o homem mais que perdido. Caixas de hambúrguer, pães de forma, iogurtes, barras de chocolate, muitas, mas muitas garrafas de coca-cola, vodka, cerveja, energéticos e uma estranha sacola com laranjas. Tudo coletado de maneira peculiar: ele vai e volta com  alimentos na mão, recomeçando sua jornada de cinco em cinco segundos. Quando se dirige aos filhos, fala um inglês nova-iorquino perfeito. Aos poucos, a atendente passa as compras e anuncia o preço final: R$ 200. De repente, ele dispara, com o sotaque carioca mais correto do mundo:

- Esssssspera um momento, essssssssqueci de bussssscar uma coisa.

Volta com mais cervejas. Sem pensar, ele saca um cartão e finalmente paga pela compra. Sai com os filhos pelo estacionamento, tentando silenciar o menino que continua a testar a paciência do pai. “Play with your toys”, ele diz. Alguns minutos depois, na rua Antônio Bicudo, um Opala cinza caindo aos pedaços passa em alta velocidade. Olho para o motorista. É ele, o próprio norte-americano, com seus dois filhos inquietos no banco de trás.

(Foto: Que Barato!)

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