Julho 30, 2008...10:03 pm

Uma simplificação

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“Bruna, Bruna, Bruna!”, berram duas adolescentes que subiram no muro do prédio localizado na rua Antônio Bicudo, número 284. No mesmo momento, um ônibus que carrega funcionários de alguma empresa paulistana passa pelo endereço, provocando uma freada nheeemmmmm blurffffff um tanto confusa aos ouvidos. É quando uma seqüência sistematizada de carros voa pelo mesmo lugar, embalada pelo farol que continua verde localizado ali, na esquina, entre a loja de calçados que está em liquidação de inverno e a farmácia recém inaugurada que ostenta cosméticos com promessas de juventude. “Você mora onde? Você estuda aqui e mora longe assim?”, espanta-se um adolescente da EE Fernão Dias Paes que também subiu o muro do mesmo prédio e, às 18h45 de uma quarta-feira, tenta combinar com um amigo um jantar na casa da amiga Sara. “Quando a gente quer que os professores faltam, eles nunca faltam! Agora a gente fica aqui esperando essa porra abrir. Abre a portaaaaaa!”, berra um outro, indignado com a escola que insiste em manter as portas fechadas, mesmo com o período de férias encerrado. Os carros continuam passando, ao mesmo tempo em que outros ônibus aparecem com suas freadas nheeeemmmmm blurfff e os adolescentes continuam ordenando: “abre a portaaaaaaaa!”. Às vezes, São Paulo se reduz a um ruído repetido que vai e volta, num movimento sem fim.

 

(Foto: Google Images)

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