Julho 7, 2008...11:23 pm

A coxinha e a fanta

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Há muitas cidades dentro de São Paulo. Numa viagem até a Vila Prudente, zona leste, por exemplo, é possível conhecer lugares que você nunca imaginou encontrar no município que mora há exatos 23 anos. Também dá para reparar em avenidas que, de tão feias, parecem ser de outra São Paulo, aquela, que sempre está distante dos olhos. Exemplo: o viaduto da Avenida do Estado. Na mesma viagem até a Vila Prudente, uma estação nova de metrô: a estação Imigrantes, cujo nome já ouvi diversas vezes anunciado por uma operadora do metrô, mas cujas instalações nunca tinha visto. Lembra a estação Sumaré, aquela que quando olhamos dá até para dizer: cidade bonita, essa.

 

Uma visita até a Vila Prudente garante conversas típicas da periferia, conversas com as quais nossos ouvidos já estão acostumados, mas que se recusam a ouvir, como num protesto. “Um aluno nosso, do ano passado, roubou e foi parar na Fundação Casa. Assalto à mão armada”, relata a diretora da EE Olga Benati, escola de ensino fundamental e médio localizada na rua Ibitirama, 1412. “Uma mãe de aluno nosso tirou o filho da escola alegando que ele ia voltar para o Norte, mas um mês depois encontramos o menino andando de bicicleta na rua. Ele, que tem 12 anos, parou de estudar para trabalhar num lava rápido”, continua. A favela da Vila Prudente, na qual um barraco é vendido por R$ 13 mil, segundo o jornal O Globo do final do ano passado, é uma das comunidades mais atendidas pela EE. Ali, no colégio, nada muito novo: as paredes um pouco pichadas, o dinheiro é escasso e o cheiro do prédio lembra o das subprefeituras, ou qualquer prédio de serviço público paulistano: uma mistura de café passado desde manhã e melado de açúcar, chão um tanto sujo e, há quem diga não ter visto na escola, cigarro.

 

Viajar até a Vila Prudente traz algumas dúvidas. Exemplo: como deve ser morar na beira da marginal Pinheiros? Uma resposta que apenas os funcionários do Jockey Club, habitantes de casinhas semi-verdes na beira da marginal, que colocam sua roupa para secar na janela, de frente para o rio, podem responder. Mas um motorista de táxi da cooperativa Serv-táxi tem outra, tão interessante quanto: como é possível uma coxinha e uma fanta custarem R$ 3,50 na Vila Prudente e apenas R$ 1,50 em Pinheiros? Indagação que poderia ser solucionada somente pelo dono da vendinha num dos quarteirões da mesma rua Ibitirama, que, aparentemente, não estava no local.

 

(Foto: O Globo)

3 Comentários

  • Adorei o texto.

  • Texto preconceituoso! você não conhece muito bem a Vila Prudente e seus arredores. É um bairro que não se resume a avenida do Estado e favela. É umbairro tradicional, lá residem muitas pessoas de boa indole e com histórico de vida que dá exemplo a muitos que moram em bairros elegantes….
    Nesta “viagem” que fez na Vl. Prudente e pelo qual parece que trabalha lá, não se foque apenas no ruim, na favela! ao invés de ser preconceituosa, ajude os menos desfavorecidos que moram lá, pode ser que conseguirá tranformá-los em cidadãos respeitados e exclui-los da sua lista perjorativa.

    Quanto a escola, como cidadã e educadora, melhore ou tente ……, organize campanhas dentro do bairro com intuito transformar a escola em um lugar melhor ! Muitos a ajudarão!
    Creio que no estado que vc.relatou não é a toa que alguns estudantes não tenham motivação em estudar lá…… e se lerem o texto que escreveu…. ai sim desistirão……………….

  • [...] resposta acima se refere ao comentário feito pela leitora Andréa aqui. Em breve, mais atualizações no [...]


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