Americana fica a quinze minutos de Campinas, no interior de São Paulo. É uma cidade que começa como Pindamonhangaba e Bragança Paulista (e talvez mais outras, que desconheço): uma longa avenida, com duas mãos, cujas beiradas são uma seqüência de árvores entre canteiros. Essa paisagem leva ao centro, que traz uma praça movimentada com camelôs abarrotados (como réplicas dos que existem aqui do lado, na Teodoro Sampaio), um terminal de ônibus e um restaurante que oferta, como aponta o aviso pintado sobre seu próprio muro, uma carne de natal: tender. O centro de Americana também oferece a seus habitantes uma loja da marca surfista Rip Curl, uma agência dos Correios e uma pizzaria chamada Cillos. Esta última é localizada na mesma avenida Cillos.
Outra atração de Americana, observada por uma viajante de um dia, é o shopping Welcome Center, ou “uécômi centerrr”, nas palavras de um dono de uma concessionária de carros local. O tal centro de compras abriga, curiosamente, um cinema vintage, que remete à década de 50, um parque de diversões aparentemente mal-assombrado com uma piscina de bolinhas, uma loja Hering e uma série de restaurantes dos quais apenas dois estavam abertos para o almoço. Outra coisa que impressiona em Americana são os viadutos. Logo na entrada, já há um. São muitos para uma cidade do interior, que dispõe apenas de 134 km2. Há, claro, palavras peculiares e específicas em Americana. Para chegar ao Ciep Cidade Jardim, recebemos sempre a mesma indicação de donos de mercado, pedestres, atendentes de bar e lixeiras: passando o viaduto, depois do terceiro sinaleiro, ali. Sinaleiro, para quem mora naquela cidade, é o famoso sinal ou farol – para quem mora na capital. Há outra denominação para ‘bolinhas de gude’, que aprendi com as crianças do mesmo Ciep Cidade Jardim, mas agora não consigo lembrar o termo exato.
Afora os detalhes apontados, as crianças de Americanas são iguais as de São Paulo ou de Tocatins: todas te chamam de tia, correm para um lado e para o outro, berram, assistem televisão no intervalo das aulas, brincam de massinha e de criar fantoches e, claro, buscam desesperadamente seu lugar numa foto.
(Foto: Gustavo Morita)


